Indústrias farmacêuticas no Japão e suas vendas limitadas
O Japão é um país mundialmente conhecido por seus avanços tecnológicos e isso não se limita somente a produtos eletrônicos: a indústria de medicamentos japonesa também se beneficiou desses avanços ao longo dos anos. Porém, o governo japonês tem atuado em uma política de controle de preços dos fármacos no país.
O Japão está sofrendo “as tendências de um atraso de drogas”, resultando em queda de aprovações, disse Yasushi Okada, presidente do Japão Pharmaceutical Manufacturers Association e diretor de operações da Eisai. Ao todo, 176 novos medicamentos aprovados nos Estados Unidos e na Europa entre 2016 e 2020 não entraram no Japão.
“Uma indústria não prosperará a menos que a inovação tecnológica seja recompensada”, disse Okada, citado por Jiji. “Quase não sentimos nenhuma vantagem por estarmos baseados no Japão.”
O comentário de Okada foi feito quando o país supostamente implementou seu primeiro corte de preços “fora do ano” fora das revisões bienais planejadas de preços de medicamentos. O Japão ajusta os preços dos fármacos a cada dois anos, principalmente para fechar a lacuna entre o preço de reembolso e o preço real de compra no mercado.
O Japão corta os preços dos medicamentos simplesmente quando as vendas excedem certos limites. O país mantém um sistema de reprecificação para expansão do mercado, que reduz os preços quando as vendas anuais excedem amplamente a estimativa original de um medicamento. Em casos extremos, as autoridades podem cortar um máximo de 25% do preço de um medicamento se suas vendas anuais subirem para entre 100 bilhões de ienes e 150 bilhões de ienes se as vendas forem pelo menos 1,5 vezes o esperado, ou 50% de desconto quando as vendas excederem 150 bilhões de ienes.
O caso mais conhecido que sofreu um corte de preço sob este esquema foi talvez Opdivo da Ono Pharmaceutical, que foi licenciado para a Bristol Myers Squibb fora do Japão.
O medicamento oncológico foi originalmente lançado no Japão em 2014 na pequena indicação de melanoma. Mas o crescimento das vendas de expansões de rótulos para áreas como câncer de pulmão de células não pequenas assustou as autoridades japonesas, que escolheram o medicamento em uma reavaliação especial com um desconto robusto de 50%, que entrou em vigor em 2017. O inibidor PD-1 continuou a ter corte de preços nos anos seguintes.
Essa limitação de preços impostas pelo governo japonês, faz com que as indústrias farmacêuticas diminuíam seu ímpeto de investir no país, aumento assim as exportações dos medicamos produzidos lá.
Fonte: Fiercepharma
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