Cristália foca no desenvolvimento de P&D
A Cristália está focada no direcionamento estratégico para inovação. A meta da empresa é criar medicamentos biológicos e aproveitar o potencial da biodiversidade brasileira. Como estratégia, construiu uma planta de biotecnologia com todas as etapas de produção - do banco de células à embalagem do medicamento.
“Buscamos autonomia produtiva, com insumos fabricados no país”, diz Ogari Pacheco, cofundador da empresa. Para ele, dominar a rota tecnológica é o caminho correto para agregar valor à produção. “Embalar remédio não é trabalhar com biotecnologia. A maior parte do mercado é totalmente dependente de importações”, observa.
O laboratório aposta no processamento de bactérias e células animais. Desses bancos biológicos, os pesquisadores tiram produtos como a somatropina - hormônio do crescimento humano (rhGH) indicado para síndromes genéticas e no tratamento de adultos com deficiência de rhGH ou crianças com baixa estatura. “Nós conseguimos, pela tecnologia de DNA recombinante, descobrir e isolar a molécula. Então nós inserimos o material genético em uma bactéria capaz de produzir o hormônio”, diz Pacheco, ressaltando que a técnica é 100% brasileira e foi atestada como bioequivalente ao padrão ouro mundial.
A produção de 776 mil frascos mensais, segundo Pacheco, poderia atender a necessidade de toda população brasileira.
Outro projeto de destaque é a enzima colagenase, utilizada no tratamento de feridas. Por muito tempo, o Brasil dependeu de importações da substância. Para criar a enzima nacional, a Cristália explorou recursos da biodiversidade. Pacheco explica que a colagenese é produzida por uma bactéria chamada Clostridium Histolyticum, que basicamente se alimenta de colágeno e está presente em componentes de origem animal.
Para reduzir riscos contaminantes de fontes de origem animal, o laboratório investiu na criação de uma bactéria vegana. Os cientistas descobriram e coletaram em Espírito Santo do Pinhal (SP), uma cepa diferente de Clostridium. “Ensinamos essa bactéria a produzir colágeno por meio de cultura vegetal e criamos a colagenase animal-free”, diz Pacheco. A inovação, que está patenteada, elimina riscos associados à enzima. “Na Europa, houve problemas com contaminação de agentes biológicos pelo mal da vaca louca. Buscamos uma rota alternativa e inovadora.”
Fonte: Valor
Fonte imagem: Divulgação