Anvisa publica Nota Técnica sobre Candida auris
A Anvisa informa que já está disponível a Nota Técnica 11/2020, que traz orientações para identificação, prevenção e controle de infecções por Candida auris em serviços de saúde.
A publicação tem como objetivo atualizar os critérios e os fluxos de encaminhamento de isolados para a Rede Nacional para identificação de Candida auris em serviços de saúde; orientar os laboratórios de microbiologia quanto à identificação do fungo; reforçar a necessidade de vigilância nos serviços de saúde; e reforçar a necessidade da adoção de medidas de prevenção e controle para evitar a disseminação.
É importante esclarecer ainda que a Agência também disponibilizou dois alertas sobre o tema. No início do mês de dezembro foi confirmado o primeiro caso de Candida aurisno Brasil, em um paciente internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) no estado da Bahia.
Entenda o que é o Candida auris
Identificado a primeira vez em 2009, Candida auris é um fungo que pode causar infecção na corrente sanguínea e outras infecções invasivas que podem ser fatais, principalmente em pacientes imunocomprometidos ou com comorbidades.
Se trata de um agente infecciosos emergente que apresenta grave ameaça à saúde pública global devido algumas de suas cepas serem resistentes aos medicamentos comumente utilizados para tratar infecções por Candida, sendo que alguns estudos apontam que até 90% dos isolados de C. auris são resistentes a fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas.
Outro aspecto negativo é que os pacientes podem permanecer colonizados por esse microrganismo por muito tempo, sem infecção, favorecendo a propagação para outras pessoas e a ocorrências de surtos em serviços de saúde.
No Brasil o primeiro caso foi detectado em um paciente de 59 anos que estava internado em uma unidade de terapia intensiva de um hospital na Bahia onde a suspeita foi notificada à Anvisa no dia 07/12/2020 e a confirmação ocorreu na mesma semana, dia 09/12 após análise de sequenciamento genético feita pelo Laboratório Especial de Micologia da Escola Paulista de Medicina (Lemi–Unifesp).
Força-tarefa
Desde o início do caso, foi organizada uma força-tarefa nacional para acompanhar e implementar medidas para conter a disseminação de C. auris no país. O grupo é formado por representantes da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa) da Bahia, da Coordenação Estadual de Controle de Infecção Hospitalar (CECIH) da Bahia, do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs nacional) da Bahia e de Salvador e da Secretaria de Estado de Saúde (SES/BA).
Também compõem a força-tarefa representantes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep-BA), do Ministério da Saúde (CGLAB/SVS, Cievs nacional), do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-BA), dos laboratórios da rede nacional para identificação de C. auris e da GVIMS/GGTES/Anvisa.
A investigação do caso e as ações imediatas estão sendo coordenadas diretamente pelo nível local (estado e município). A Anvisa está acompanhando ativamente todas as ações e atuando junto às Coordenações Estaduais/Distrital de Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar (CECIH/CDCIH) para reforçar a vigilância e as medidas de prevenção e controle de infecções nos serviços de saúde do país.
Diante da situação, a Anvisa recomenda aos serviços de saúde e aos laboratórios de microbiologia que estejam alertas às orientações previstas nos documentos publicados pela Anvisa, para que as ações nacionais sejam adotadas de forma oportuna e segura.
Fonte: Anvisa
Fonte imagem: Pixabay