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Estudo de medicamento antiviral contra a Covid-19

vírus covid-19
 vírus covid-19

O desenvolvimento de um antiviral de uso oral contra a Covid-19 tem parceria com a empresa Microbiológica e o Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (CIEnP).

A substância, batizada pelos pesquisadores de MB-905, foi purificada a partir de um hormônio vegetal chamado cinetina. O composto demonstrou-se eficaz para inibir a replicação do coronavírus em linhagens de células humanas hepáticas e pulmonares, além de auxiliar a frear o processo inflamatório desencadeado pelo vírus.

Como funciona o antiviral em desenvolvimento

A MB-905 desorganiza o genoma do vírus e causa uma espécie de catástrofe na síntese de seu material genético (RNA), processo crucial para a replicação viral.

A molécula de RNA é composta por quatro bases que precisam se ligar de uma forma determinada (A com U, C com G), mas a estrutura da cinetina é muito semelhante à da base A, o que permite que uma importante enzima do vírus, chamada RNA polimerase viral, incorpore a cinetina no lugar da base A.

A cinetina, por sua vez, se comporta de forma aleatória, ora como A, ora como G. Isso cria uma grande confusão na sequência do RNA e induz o vírus a vários erros durante seu processo de replicação, gerando muitas partículas que são defectivas e não têm capacidade replicativa, o que reduz a replicação geral do vírus.

Além de atuar como antiviral, a MB-905 também conseguiu frear o processo inflamatório desencadeado pelo coronavírus, diminuindo os níveis das citocinas IL-6 e TNFα em monócitos infectados.

O mecanismo é fundamental para combater a Covid-19, uma vez que a doença não manifesta somente uma destruição viral, mas serve muitas vezes como gatilho de uma resposta inflamatória exacerbada do organismo.

Eles selecionaram duas das principais citocinas pró-inflamatórias para usar como indicadores, o IL-6 e TNFα. A partir disso, fizeram uma triagem já orientada a buscar substâncias que pudessem ser ao mesmo tempo antivirais e capazes de reduzir esse insulto inflamatório produzido pelo vírus.

Outros resultados

Para os pesquisadores, a Covid-19, assim como outras doenças de natureza viral, não será curada com um único medicamento. Eles afirmam que será necessário administrar um conjunto de medicamentos para tratar os casos mais graves da doença e aqueles de maior risco, como os de pacientes com comorbidades.

Com base no mecanismo de ação da MB-905, o grupo investigou que substâncias poderiam potencializar o efeito da cinetina. O estudo também identifica vantagens do MB-905 em relação a outras substâncias cujo benefício clínico foi demonstrado em ensaios clínicos independentes.

O remdesivir, por exemplo, é injetável, enquanto a cinetina será administrada como comprimido, possibilitando que o paciente receba o medicamento o mais precocemente possível. Já em relação ao molnupiravir, o MB-905 obteve melhores resultados em testes de segurança. Como desorganiza o genoma viral sem interferir no da célula, a cinetina foi considerada segura de acordo com o teste de Ames.

Fonte: CNN Brasil

Fonte da Imagem: Pixabay