Home / Medicamentos / Mercado / Análise: Reajuste do CMED previne o desabastecimento do mercado?

Análise: Reajuste do CMED previne o desabastecimento do mercado?

Os direcionadores dos reajustes implicam diversas vertentes no quais os medicamentos estão inseridos.
 Os direcionadores dos reajustes implicam diversas vertentes no quais os medicamentos estão inseridos.

A Câmara Reguladora Nacional de Medicamentos (CMED), regula o preço dos fármacos anualmente, e estabelece alguns fatores primordiais, como a própria inflação acumulada nos últimos 12 meses, para utilizar como parâmetros para esse reajuste. Alguns dados como reajustes intrasetoriais e de competividade, também são utilizados no cálculo.

A pandemia de COVID-19 que se iniciou em 2020, expôs alguns pontos importantes e críticos a serem observados na tributação de medicamentos, onde o projeto de lei 939/2021, visou revogar os reajustes estabelecidos de 10,89%, sob a alegação já que diversas pessoas foram impactadas economicamente, e as indústrias continuaram apresentando índices de crescimento, porém a proposta foi vetada na câmara e o reajuste se manteve, sob alegações que se fosse interrompido, diversas fabricantes poderiam tirar seus medicamentos do mercado, já que não seriam mais comercialmente tão viáveis, causando rupturas na cadeia de suprimentos.

Para esse ano o reajuste do CMED, estabelecido em 1 de abril, determinou um aumento de 10,89% no preço dos medicamentos, e com isso, as indagações permaneceram, até onde o reajuste dos fármacos está de acordo com o cenário atual?

Primeiramente, é necessário entender que os lucros reportados em 2021 pelas indústrias farmacêuticas, de forma geral, foram extremamente positivos, onde em média elas apresentaram um crescimento de 18% no ano a ano, superando os lucros presumidos pelas empresas no início do ano.

O aumento de faturamento na casa dos bilhões, poderia ser um indicador, que os reajustes aprovados, estão em desacordo com os resultados, já que as vendas superiores ao estimado, indicam que o mercado está precificado de forma interessante para as indústrias farmacêuticas.

Porém, os crescimentos da produção da indústria farmacêutica reportaram constante desaceleração no último trimestre de 2021, impactados pela queda de internações hospitalares provenientes de COVID-19 e consequente redução de alguns produtos específicos no mercado.

O cenário de desaceleração de vendas das indústrias farmacêuticas, e os cenários de tensões geopolíticas internacionais, fez com que o reajuste estabelecido, se enquadrasse como o maior da sua série histórica, o que deve ser favorável para que algumas indústrias reestabeleçam, fármacos em volumes maiores no mercado, no qual anteriormente não eram atrativos comercialmente, pelo preço máximo que poderiam ser praticados.

Então, em suma, o reajuste do CMED de 2022, representa um aumento de valores expressivos para os consumidores, e para as indústrias um potencial retorno de produtos que não eram interessantes comercialmente, ou de adição de volumes de potenciais produtos com vendas elevadas.

Para isso é necessário o acompanhamento, de forma individual, de cada medicamento, para que seja possível entender as tendências de mercado ao longo do ano.

Fonte: GlobalMed Report
Fonte da imagem: Pixabay