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Industria farmacêutica: reajustes de insumos chegam a 100%

Diminuição dos voos e dependência de importação de insumos farmacêuticos são as principais alavancas nos aumentos.
 Diminuição dos voos e dependência de importação de insumos farmacêuticos são as principais alavancas nos aumentos.

De acordo com matéria publicada pelo site Valor Econômico, desde o início da pandemia, os fabricantes registraram aumento nos custos gerais. Em resumo, o valor do frete, das embalagens e dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) apresentaram reajustes que chegam a mais de 100% em algumas situações.

Nelson Mussolini, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), disse que todos os insumos utilizados pela indústria sofrem com o cambial e o aumento da demanda como resultado da Covid-19.

“Os aumentos ocorreram não somente para a produção de vacinas, o aumento foi generalizado nos insumos e em todos eles, como material de embalagem, blister, alumínio e polietileno”.

Fretes com reajustes nas alturas e dependência de insumos de outros países

Considerando somente os fretes, a alta foi de 10 vezes desde o início da pandemia. Segundo Mussolini, antes da crise sanitária, o frete da China custava US$ 1 por quilo de IFA. Hoje, o valor pago pelo mesmo quilo é de US$ 10.

“Quem subsidia carga aérea são os passageiros. E com a restrição de voos, ficou ainda mais difícil o frete aéreo. Sabemos que ainda não voltou ao normal, mas acredito que nunca mais retornam para aquilo que eram. A experiência demonstra isso”, afirma.

Enquanto isso, os aumentos em relação aos IFAs ocorreram por causa da maior procura mundial pelos fabricantes dos insumos, que em sua maioria estão na China e na Índia. Tal fato torna a indústria farmacêutica global dependente desses dois países – o Brasil, por exemplo, compra quase 90% dos insumos.

“Não se consegue investir hoje para produzir na semana seguinte. É um sonho imaginar que vai fazer uma fábrica de IFA em menos de 12 a 18 meses. E, se não tiver um mercado consumidor grande e uma exportação forte, fica inviável o negócio. Precisa de uma garantia mínima de não ociosidade, justamente para dar margem no negócio”, finaliza Mussolini.

Fonte: Revista da Farmácia

Fonte imagem: Pixabay